quarta-feira, 21 de maio de 2014

Curiosas Esculturas


Bruno Catalano
 francês, e suas estátuas de bronze aparentemente incompletas, 
  com um vazio que se completa com a paisagem.
fontes: http://www.meon.com.br/
                                             Quase sempre retratam viajantes, com malas nas mãos.
http://www.pinterest.com/
Litoral norte da França

Na cidade de Kaunas, que é a 2ª maior cidade da Lituânia, em uma velha praça há uma estátua de bronze, herança dos tempos de dominação da antiga União Soviética (1795, 1920, 1940, 1944-1991). A estátua é de um homem que a noite semeia estrelas. Esta estátua ficou mundialmente conhecida como “O semeador de estrelas"
 

O mesmo monumento  em cima, de dia e, abaixo, 
à noite, a poética imagem de estrelas sendo semeadas
 

Esculturas em Sabão

 
 



terça-feira, 20 de maio de 2014

A Caminho com Maiakóvski - de Eduardo Alves da Costa

Texto atribuído a autores estrangeiros consagrados  como Wladimir Maiakóvski, Garcia Marquez e Bertold Brecht entre outros, os tão conhecidos quinze versos  no poema destacados, na verdade são de EDUARDO ALVES DA COSTA, nascido em Niteró,  Rio de Janeiro e autor de vários livros.  Ao que consta, o equívoco, por alguma razão, começou quando Roberto Freire em um de seus livros epigrafou ao poeta Wladimir Maiakóvisky.

A Caminho com Maiakósvki
( de Eduardo Alves da Costa)
 

 "Assim como a criança humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakósvki.

Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.

Lendo teus versos, aprendi a ter coragem.
Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho e nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm a ninguém é dado
repousar a cabeça alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz:
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.

No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã, 
diante do juiz,  
talvez meus lábios
calem a verdade 
como um foco de germes
capaz de me destruir.
Olho ao redor e o que vejo
e acabo por repetir são mentiras.

Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.

A mim, quase me arrastam pela gola do paletó
à porta do templo e me pedem que aguarde  
até que a Democracia se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,  porque não estou amedrontado  a ponto de cegar,
que ela tem uma espada a lhe espetar as costelas 
e o riso que nos mostra é uma tênue cortina lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado, no plantio.
Mas no tempo da colheita lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.

Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.

Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares,
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo.

Por temor, aceito a condição
de falso democrata e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade, procurando, num sorriso,
esconder minha dor diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!"

 EDUARDO ALVES DA COSTA

 Poema publicado no livro 'Os Cem Melhores Poetas Brasileiros do Século'
 

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Um pouco de Clarice Lispector



“Minha alma tem o peso da luz.  
Tem o peso da música. 
Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. 
Tem o peso de uma lembrança. 
Tem o peso de uma saudade. 
Tem o peso de um olhar. 
Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. 
Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros.”  
Clarice Lispector

Clarice escreveu este último bilhete no leito no Hospital da Lagoa, no Rio de Janeiro, no dia 7 de Dezembro de 1977.

Leonid Afremov

Acho que o processo criador de um pintor e do escritor são da mesma fonte.
 Quando eu escrevo, misturo uma tinta a outra e nasce uma nova cor."
 

"Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue; outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho… o de mais nada fazer.”
 

"Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só se tem uma chance de fazer aquilo que quer. Tenha felicidade bastante para fazê-la doce. Dificuldades para fazê-la forte. Tristeza para fazê-la humana. E esperança suficiente para fazê-la feliz. As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas. Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos. A felicidade aparece para aqueles que choram. Para aqueles que se machucam. Para aqueles que buscam e tentam sempre. E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas."

"Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar..."


 

domingo, 18 de maio de 2014

Sobre isso de "melhor idade"



Vai ver que resolveram rotular como da “melhor idade” a pessoa que desfruta de certos "privilégios", como por exemplo, o de furar a fila para votar...se bem que comigo já aconteceu e,  rendeu um bom blá-blá   por conta de um  cidadão que me qualificou - e  que pensando bem, não deixa de ser um elogio - de  “mais inteira do que ele” e que, por essa circunstância, deveria ir lá para o final da fila.

Vai ver é por conta da aposentadoria, o que também não significa muito já que muitos deste grupo, ainda trabalham e sobre seus ombros recai o custo de ainda ter que sustentar a família.

Então, a classificação de melhor idade não deve ser por conta de certos mimos, como o direito a um assento na condução,  vagas exclusivas  nos estacionamentos,  passagens mais baratas, etc. Mas, ainda não sei bem o porquê.

Há quem também não goste de ser chamado de idoso, talvez pela associação com Matusalém, cuja existência foi  "repleta de anos de vida”. Neste caso mais adequado seria parabenizar, considerando os tantos obstáculos já ultrapassados... só que para a maioria a sobrevivência não anda nada fácil. 

Antigamente,  ao invés de supermercados e suas filas, seus carrinhos desengonçados repletos de produtos industrializados, era só ir em direção ao quintal. De lá vinham  flores e frutas; aves e ovos, carne e leite, verduras e legumes.  

Ao invés de televisão e computador, com suas imagens prontas e instantâneas, existia o rádio, e a partir do que diziam seus locutores, a imaginação de cada ouvinte acrescentava as imagens. Era tempo de se enviar cartas, às vezes com alguma recordação dentro, como uma pequena flor, uma gota de perfume, algo assim...nada de torpedos, redes sociais e, todos entendiam e sentiam a mensagem, sem imagens impressas, mas com o sentimentos indelevelmente expressos.

  À noitinha, chegavam vagalumes de todos os lados, e o seu piscar encantador e mutante era puro encanto... pouco depois,  o céu  se recobria  de estrelas, deixando vago apenas o espaço para um luar sereno.  E, claro, tudo isso, sem querer,  enchia o espírito de paz e amor, portanto,... muito antes dos hippies/Beatles.
 
Era bem mais bonitinho cantar, ao invés de “prepara...é hora...das poderosas que expulsam as fogosas.. e você fica de cara ba-ban-do” - afff, que coisa horrorosa!  -  “ciranda, cirandinha, vamos todos cirandar, volta e meia vamos dar”. 

Ninguém se entupia de silicone e,  peitões mesmo, só os naturalíssimos: por exemplo, os da Jane Mansfield  ou os da Lollobrígida que, quando apareciam nas telas dos cinemas,  despertavam secretos suspiros e os homens ficavam “ba -ban-do!”   Bundão, mesmo, sempre existiu, sobretudo, no meio político, mas nunca como hoje e no Brasil!
 
  Prezados, quem viver verá e ninguém escapa: a lei da gravidade se aplica bem aos que chegaram primeiro:  caem os cabelos e muitas outras partes mais; enrijecem as flexões, então é difícil dar uma abaixadinha, até para ajoelhar...e rezar por dias melhores; crescem fios isolados e inesperados!

Melhor idade, portanto, no meu entender  não é um conceito associável à idade temporal.


Pela vida temos dias e tempos  de cores e possibilidades infinitamente variáveis. A melhor idade é uma avaliação individual, aquela em que  se tenha um bom ouvinte,  que me fale ou escreva algo agradável, alguém que lembre da minha presença na vida; será  certamente o tempo em que eu ainda goste de música, poesia, de plantar e degustar  abóboras verdes ou maduras; sem medo, o tempo em que eu saiba o que é amor pelos meus e pelo próximo, enquanto eu possa trabalhar e com isso tentar rodar a ciranda cirandinha à minha volta. Se o anel que tu me deste era vidro e se quebrou, a melhor idade será sempre aquela em que o sonho fica ou ficou, aquela cujo coração de alguém a gente tocou...mesmo quando tudo já tenha passado. E só se saberá qual idade terá sido esta, no final.

 

Bom dia, Domingo!


"Alguns guardam o domingo indo à igreja

eu o guardo ficando em casa tendo um sabiá como cantor e um pomar por santuário. 

Alguns guardam o domingo em vestes brancas mas eu só uso minhas asas e ao invés de repicar dos sinos da igreja nosso pássaro canta na palmeira. 

É Deus que está pregando, pregador admirável e o Seu sermão é sempre curto.

Assim, ao invés de chegar ao céu, só no final

Eu o encontro o tempo todo no quintal."

Emily Dickson
- nascida em 10 de dezembro de 1830, em Amherst, no Massachusetts, EUA - 

Ideia tão simples e bela: é possível chegarmos a Deus, de espírito ao Espírito e, milhares de oportunidades, então sempre surgem  a todo o tempo.  Nesta poesia, o encontro com Deus estabeleceu-se em estreita sintonia com o que nos é dado de graça, pela natureza, num fundo de quintal.  

 
Bom dia, domingo!
 
 
 
Domingo é o dia mais colorido da semana, chova ou faça sol
dia sem pressa, de almoço com a família, dos comentários descompromissados.
Fosse eu ainda criança e seria o dia do bolo daqueles com um furo no meio, com gosto e perfume de mãe,  feliz ouvindo  a música espanhola.

Enquanto os filhos foram bem crianças, o colorido dominical se descortinava nas pracinhas, entre um brinquedo ou outro, de fundo, bolas coloridas, carrocinha de pipoca e algodão doce. Pequenas e certas felicidades.
 
Hoje, os domingos andam meio preguiçosos,  almoço em família só se combinado nos restaurantes,  hora de acordar para um coincide com a hora de outro começar a dormir, música, com sorte, só a dos passarinhos e bem cedo. Bolo, nem pensar, porque ninguém pensa em engordar, ou melhor, só pensa nisso.

Entre ausências e vazios o dia segue silencioso, até que a programação da televisão dê indícios de que logo será segunda-feira... outra vez!

Pelo caminho, durante os dias de pegar mais pesado no trabalho,
 vamos vida a fora convivendo com pessoas que  acabam se  integrando às nossas vidas e transformam os dias de suor e  lágrimas, ou quase isso, em bons momentos, sendo até possível acontecer instantes dominicais dentro do expediente, com direito a comungar bolo e tudo o mais.

 
 

sábado, 17 de maio de 2014

A Thousand Years - Cristina Perri


Mil anos
O coração acelerado
Cores e promessas
Como ser corajoso
Como posso amar quando tenho medo de me apaixonar
Mas ao ver você na solidão
Toda a minha dúvida de repente se vai de alguma maneira

Um passo mais perto

Eu morri todos os dias esperando você
Amor, não tenha medo
Eu te amei por mil anos
Eu te amarei por mais mil

O tempo fica parado
Há beleza em tudo que ela é
Terei coragem
Não deixarei nada levar embora
O que está na minha frente
Cada suspiro
Cada momento trouxe a isso

Um passo mais perto

Eu morri todos os dias esperando você
Amor, não tenha medo
Eu te amei por mil anos
Eu te amarei por mais mil

O tempo todo eu acreditei que te encontraria
O tempo trouxe o seu coração ao meu
Eu te amei por mil anos
Eu te amarei por mais mil

Um passo mais perto
Um passo mais perto

Eu morri todos os dias esperando você
Amor, não tenha medo
Eu te amei por mil anos
Eu te amarei por mais mil

O tempo todo eu acreditei que te encontraria
O tempo trouxe o seu coração ao meu
Eu te amei por mil anos
Eu te amarei por mais mil
 
 
 


 

 

Epigrama - Cecília Meireles


 
" Narciso, foste caluniado pelos homens,

por teres deixado cair, uma tarde, na água incolor,

a desfeita grinalda do teu sorriso.

Narciso, eu sei que não sorrias para o teu vulto, dentro da onda:

sorrias para a onda, apenas, que enlouquecera, e que sonhava

gerar no ritmo do seu corpo, ermo e indeciso,

a estátua de cristal que, sobre a tarde, a contemplava,

florindo-a para sempre, com o seu efêmero sorriso..."

Cecília Meireles
 


Na mitologia grega, Narciso era um belo jovem, filho do deus-rio Cephisus e da ninfa Liriope. Apesar de atrair e despertar a cobiça das ninfas  e donzelas, Narciso preferia viver só, pois não encontrava ninguém que julgasse merecer seu amor. E foi o seu desprezo pelos outros  que o derrotou.

Quando Narciso nasceu, o adivinho Tirésias predisse que ele viveria muitos anos desde que não conhecesse a si mesmo. Cresceu, tornando-se cada vez mais admirado por sua beleza e todas querendo  o seu amor.

Certo dia, enquanto descansava sob as sombras do bosque, a ninfa Ecos por ele se apaixonou. Ele a rejeitou. As outras ninfas, então, lançaram a uma maldição: "Que Narciso ame com a mesma intensidade, sem poder possuir a pessoa amada. Uma divindade punidora ouviu e atendeu ao pedido.

Um dia, ao inclinar-se para beber água numa fonte de águas clarinhas, Narciso viu sua própria imagem refletida e encantou-se por sua visão. Ficou fascinado. contemplava seu rosto, a beleza de seus olhos, seus cabelos, seus lábios e ficou extasiado. Por mais que quisesse não conseguia abraçar a imagem. Esgotado, deitou-se na relava e aos poucos seu corpo foi desaparecendo. Seu corpo virou uma miragem. No seu lugar, surgiu uma flor amarela  que passou a chamar-se NARCISO.

"Narcisismo" ou "narcisista", popularmente, é referência para uma pessoa extremamente vaidosa, orgulhosa, arrogante.  Não é difícil nos depararmos com pessoas assim, que exageradamente se consideram mais especiais que todo mundo, os mais bonitos, os mais inteligentes. Sentem necessidade de causar impacto, de chamar a atenção para si ou que, insistentemente, lhes falem sobre sua beleza física e, se assim não for ou se forem contrariados,  agem com arrogância e rispidez. São, assim chamados de Narcisistas: quem com eles não concordar pode se frustrar,  corre o risco de ser desclassificado e chamado de incapaz, recomendando sempre que esta pessoa se mire nele.
 
 
Psicanálise à parte e não é que conheço um cara bem assim?  Só não sei se algum dia muda...até mesmo para  flor.
 

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Aprendendo com as Formigas



 
Por volta de seus 4 a 6 anos, Helinho sentia-se curiosíssimo em relação às formigas que caminhavam em seu quintal.  Mãos nos joelhos, curvava-se para melhor apreciar a trajetória cambaleante  desses seres tão pequeninos, cujo esforço pelo que carregavam era enorme,  tantas vezes em dimensões muito maiores do que seu corpo.  Parecia que ao passar uma pela outra, uma vinda e a outra indo, elas trocavam alguma espécie de código...o que seria provavelmente estava relacionado à organização do seu trabalho, ou, alguma palavra de encorajamento, quem sabe até dicas sobre a meta a alcançar.  Observava o trajeto percorrido até o destino: possivelmente, a casa ou mesmo alguma uma espécie de corporação, ou cidade, onde a comunidade convivia. De lá,  outras saiam, organizadamente, para buscar nova carga, sob o sol a pino.  Ele se encantava com aquilo. Mesmo sem se dar conta, certamente, muito aprendeu sobre a capacidade desses seres aparentemente tão frágeis, mas tão guerreiros, sua capacidade de organização para o trabalho em equipe, o esforço,  suas estratégias de defesa,  a indispensável comunicação para o êxito de sua empreitada. Vieram, portanto, das formigas as primeiras noções de luta, persistência apesar das adversidades... superação, determinação para alcançar as metas. Aprendeu a respeitar as diferenças, também e, mais, que de onde menos se espera pode vir uma ferrada e tanto e, como doem! Delas ainda as primeiras noções de trabalhar pelo sustento mas sempre guardar um pouco. E, hoje, este admirador e discípulo das formigas, professor entre outros ofícios, por seus esforços  é hoje  um cidadão para ninguém botar defeito, sempre estudando, ensinando e educando, é um excelente chefe de família, filho abençoado, um trabalhador incansável, apesar de tudo, capaz de superar qualquer obstáculo. Vale ou não vale prestar atenção no que está por aí espalhado por toda a natureza?
 



Máscaras


 
De Menotti Del Picchia
 


"O teu beijo é tão doce,  Arlequim...O teu sonho é tão manso, Pierrot...

Pudesse eu repartir-me, encontrar minha calma dando a Arlequim meu corpo...
e  a  Pierrot,  minha alma!

Quando tenho Arlequim, quero Pierrot  tristonho,  pois um me dá prazer, o outro dá-me o sonho!

Nessa duplicidade o amor todo se encerra: Um me fala do céu...outro fala da terra!

Eu amo, porque amar é variar e, em verdade, toda a razão do amor está na variedade...

Penso que morreria o desejo da gente se Arlequim e Pierrot  fossem um ser somente. Porque a história do amor só pode se escrever assim:  Um sonho de Pierrot e um beijo de Arlequim!"


 
Colombina era o pivô desse triângulo amoroso, inspirador no teatro do mundo e por aqui, popularmente,  por  tantas marchinhas quando o carnaval era bem mais romântico.  Ela era uma criada, muito bela e tão refinada quanto sua ama, a filha de um rico comerciante, Pantaleão.

De um lado o apaixonado e pobre serviçal  Pierrot,  com seu rosto  sem máscaras, pintado de branco. Vivia pelos cantos suspirando e chorando por Colombina.  Do outro,  o esperto  Arlequim, uma espécie de bobo da corte, trapalhão,  fanfarrão e preguiçoso, mas, capaz de passar por ingênuo e ser gentil galanteador.  
 
Justo pelo Arlequim  colombina mostrava-se, cantando e dançando,  com toda a sua graça...enquanto isso, o coitado do Pierrot chorava pelos cantos!
 
 

Pelo dia das Mães




Filho Predileto


Certa vez perguntaram a uma mãe qual era o seu filho predileto, aquele que ela mais amava.
E ela, deixando entrever um sorriso, respondeu:
"Nada é mais volúvel que um coração de mãe.
E, como mãe, lhe respondo:
O filho dileto, aquele a quem de dedico de corpo e alma...
é o meu filho doente, até que sare.
É o que partiu, até que volte.
O que está cansado, até que descanse.
O que está com fome, até que se alimente.
O que está com sede, até que beba.
O que está estudando, até que aprenda.
O que está nu, até que se vista.
O que não trabalha, até que se empregue.
O que namore, até que se case.
O que casa, até que conviva.
O que é pai, até que os crie.
O que prometeu, até que cumpra.
O que deve, até que pague.
O que chora, até que se cale."


E, já com o semblante bem distante daquele sorriso, completou:
"O que já me deixou...
... até que o reencontre..."
( Não conheço a autoria)
 

Foto: Meus filhos amados!

" Naquela nuvem, naquela, mando-te meu pensamento:
que Deus se ocupe do vento.
Os sonhos foram sonhados e o padecimento aceito.
E, onde estás Amor Perfeito?
Imensos jardins da insônia,
de um olhar de despedida deram flor por toda a vida.
Ai de mim que sobrevivo sem o coração no peito.
E, onde estás Amor Perfeito?

Longe, longe, atrás do oceano que nos meus olhos se aleita
entre pálpebras de areia...

Longe, longe...Deus te guarde sobre o seu lado direito

como eu te guardava do outro,
noite e dia, Amor Perfeito."

( Cecília Meireles)


Depois de um dia de trabalho e de uma angústia inexplicável, já em casa, mas, sem conseguir relaxar, toca o telefone... "Mãe, daqui a pouco volto,  deixa a porta aberta prá mim...". Ela interrompe e lembra que ele tem uma chave, mas que de qualquer forma ficaria acordada esperando. conversaram mais um pouco sobre o momento e, por mais duas outas vezes ele pediu para que ela lhe deixasse a porta aberta. Antes de desligar, ainda, falou algo marcante, fora do hábito diário: "...te amo!"

Faltava  menos de um mês para que completasse seus dezoito anos.

Poucos minutos depois desse chamado, novamente toca o telefone. Ela corre, inexplicavelmente apreensiva para atender "Alô, aqui é do hospital... dois jovens sofreram um acidente de moto, um deles está bem, mas é grave o estado do outro". Ela sentiu  algo como uma pontada gelada no meio do peito, como se algo lhe tivesse cortado o coração, pegou a chave do carro e para lá se dirigiu. Era final de noite num dia 10 de agosto.  No início da madrugada, mais precisamente, à zero hora do dia quinze, ele não voltou do estado de coma.  Ao clarear do dia, a manhã era lacrimosa em todos os sentidos, céu totalmente coberto por nuvens escuras e uma chuva silenciosa e constante, manhã profundamente triste.

Dias e noites de muitas lágrimas depois, ao conseguir sair às ruas, no centro da cidade passou por uma loja e dentro desta, lá no fundo havia um pôster que, mais uma vez, de forma inexplicável atraiu sua atenção e ela entro, nem tanto por ele, mas, em busca da ajuda de livros que lhe abrandassem tamanha dor: saudade!

Aproximou-se pouco depois para ler o que estava escrito em letras não muito grandes, no pôster:

" O amor é uma porta aberta para a LUZ."

E aquela voz repetiu em se coração: "deixa a porta aberta..."

E, esta foi a senha para alcançar a resignação, a mansitude diante do inevitável,  ou seja, não poder devolver-lhe a vida, aquela devastadora dor pela impotência, a tristeza por tudo que, por um motivo ou outro, poderia ter sido diferente e melhor, mas que inevitavelmente aconteceu como tinha que ser.

Ela entendeu então que havia uma forma de mantê-lo vivo, distante de todos os percalços e pedras do caminho...bastava deixar aberta a porta, bastaria  amá-lo e  eternamente ele estaria vivo dentro daquele coração de mãe. E, assim foi, é sempre será durante sua existência.

O tempo apaziguou a dor.  Ela aprendeu e divulga sempre que necessário que

Ninguém Morre Enquanto Permanece Vivo No Coração de Alguém...


A lembrança é um estar constante e muitas coisas remetem a ela. Apenas como exemplo, uma música marcante na época: "I just talk to say I love You"...coincidência, não?